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                    Condomínios unidos contra a violência.
NAS GRANDES cidades brasileiras, praticamente não existem mais condomínios sem sistemas eletrônicos de segurança. Câmeras, cercas elétricas, alarmes, portões com eclusas, controles remotos anti-clonagem são equipamentos que fazem parte da rotina de síndicos, condôminos e funcionários de edifícios. Toda essa tecnologia, porém, ainda não eliminou completamente os riscos de assaltos e arrastões em condomínios. Além do investimento em equipamentos, alguns condomínios já enxergaram uma outra possibilidade de lutar contra a violência: a união com prédios vizinhos.

Para o consultor de segurança José Elias de Godoy, autor do livro Técnicas de Segurança em Condomínios (Editora Senac), a tendência é prédios vizinhos se auto-monitorarem. "Em casos de emergência, os demais edifícios poderão acionar os órgãos públicos para socorro, como a Polícia ou os Bombeiros", diz. Elias orienta que existem diversas opções para tornar possível a comunicação entre prédios, como aparelhos celulares, rádios HT convencionais ou aparelhos de comunicação móvel digital. Conforme o consultor, esta última opção é a mais segura, já que dificulta a escuta clandestina por bandidos. Porém, o grupo de prédios deve pesar prós e contras ao decidir a melhor forma de comunicação.

Apesar de mais seguros, os aparelhos móveis têm a desvantagem de acarretar um custo fixo mensal para os condomínios: os aparelhos são locados e podem ter as chamadas bloqueadas, evitando que os porteiros usem os aparelhos como telefone celular. Já os rádios HT têm um custo inicial maior, relativo à compra dos aparelhos, e ainda o valor das licenças pagas à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) pelo direito de uso à freqüência e pelo direito de exploração de serviços de telecomunicação, válidas por 10 anos. Sistemas de alarme também podem servir para transmitir que há uma situação de emergência em algum prédio.

O consultor explica que os prédios podem monitorar um ao outro através de uma central de alarme. Cada prédio recebe uma central de alarme, que são interligadas entre si. Acionando o botão de pânico, um dos porteiros avisa os outros da emergência. "Trata-se de um sistema mais elaborado", sugere.

Qualquer que seja o sistema de comunicação escolhido pelos vizinhos, é fundamental que os porteiros sejam treinados sobre como agir nas ações entre os prédios e em situações de emergência. "Deverão ser usadas senhas e contra senhas entre as portarias para comunicação reservada. Esse sistema também é utilizado em situações suspeitas onde a portaria de um edifício avisa as outras sobre movimentações estranhas no entorno dos prédios.

Cabe lembrar que os rádios deverão ser utilizados, exclusivamente, para procedimentos de segurança e não para bate-papo, brincadeiras ou mesmo passar informações sigilosas dos prédios e seus moradores", orienta Elias. O consultor também orienta que os condôminos tenham conhecimento da comunicação entre os prédios. "Todo o sistema é proposto para aumentar o grau de segurança dos condôminos. É importante lembrar que os moradores devem conhecer as medidas emergenciais utilizadas nos prédios a fim de não serem surpreendidos em ações de contingenciamento", adverte.

Elias considera interessante também que os prédios informem a polícia sobre a comunicação efetuada. "Porém, não é obrigatório, salvo nas situações emergenciais onde deve-se acionar a polícia. Cada portaria deverá ter os telefones dos órgãos de emergência em local de fácil acesso", orienta. Um exemplo de grupo de edifícios que conseguiu efetuar uma bem sucedida comunicação, inclusive comunicando a polícia, é o do projeto Prédios Antenados. Um grupo de síndicos preocupados com o alto índice de violência resolveu procurar o Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) da região, que reúne os bairros de Perdizes, Pompéia, Barra Funda e Água Branca.

Através da formação do Núcleo de Ação Local, o grupo de síndicos começou a organizar encontros mensais sistemáticos. Depois de discutidos no Núcleo, os problemas são passados para a reunião, também mensal, do Conseg. Os laços entre os síndicos começaram a se estreitar e surgiu o projeto Prédios Antenados. Cada prédio (hoje, nove fazem parte do grupo) conta com um rádio intercomunicador. A cada hora cheia, os porteiros se comunicam, no sistema de conferência - todos escutam todos. Cada prédio usa um código para ser reconhecido, eliminando o risco do edifício ser identificado por alguma escuta clandestina.

Segundo os síndicos, o rádio ajuda a deixar o porteiro "ligado" na segurança, e não interfere na rotina de trabalho da portaria. O grupo calcula que o sistema de comunicação entre os porteiros diminuiu em mais de 70% as ocorrências policiais nas ruas, beneficiando uma comunidade de cerca de seis mil pessoas. Além da segurança, outras reivindicações dos síndicos foram atendidas, como reforço na iluminação pública, eliminação de som alto emitido por bares e até colocação de lixo no dia e hora certos.

Nas reuniões do Conseg, há um representante da Subprefeitura, para quem os síndicos fazem suas solicitações, além dos representantes das Polícias Civil e Militar e da Guarda Municipal. Outro benefício foi a aproximação entre as pessoas, com ganhos para os próprios edifícios. Os síndicos, que só se conheciam de vista, tornaram-se amigos e hoje trocam informações sobre fornecedores de produtos e serviços para seus condomínios, conseguindo melhores preços.

Em menor escala, porém também bem sucedida, é a experiência de dois edifícios localizados na zona sul paulistana. O síndico Carlos Eduardo Gabriel já havia adotado a comunicação via rádio HT dentro do seu condomínio, para agilizar os contatos entre o zelador e a portaria. "Um condomínio vizinho ao nosso adotou também o rádio e passamos a nos comunicar, principalmente à noite", conta Carlos. Os contatos já são realizados há dois anos. "Criamos códigos para não identificar os prédios. Um porteiro alerta o outro se, por exemplo, passar um grupo suspeito a pé na porta do prédio. A comunicação funciona também para que um porteiro estimule o outro à noite, espantando o sono", constata o síndico.

Carlos acredita que o uso dos rádios também faz bem para a auto-estima dos funcionários. "Eles são tratados como seguranças, o que acaba se tornando um diferencial no currículo", comenta. Além de aumentar a segurança, a comunicação funciona também em outras situações de emergência. Numa chuva recente que alagou o bairro, Carlos se recorda que uma das portarias avisou a outra que estava entrando água no prédio pela garagem. Avisado, o porteiro passou a monitorar a situação pelas câmeras, e pode avisar o zelador e o síndico do risco de alagamento.

Data: 10/06/2007

Fonte: Revista Direcional Condomínios
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