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                    Da manta asfáltica à s injeções, escolha o melhor para o seu prédio.
RAROS SÃO OS que ainda não se viram às voltas com uma obra de impermeabilização. Prédios muito antigos, ou que tiveram serviços de impermeabilização mal feitos, precisam enfrentar os transtornos de refazer todo o piso térreo do prédio para se verem livres das infiltrações no subsolo. Apesar da sujeira, do alto valor necessário e do tempo gasto, a impermeabilização é das obras mais importantes para a saúde dos edifícios.

Infiltrações escondidas por chapas metálicas nas garagens ocasionam a corrosão das estruturas de concreto armado da edificação. As calhas apenas tapam o sol com a peneira. O síndico deve enfrentar a situação e resolver a causa da infiltração. Além de se livrar da umidade, o condomínio pode aproveitar a obra de impermeabilização para renovar o lay-out do térreo, instalando novo revestimento no piso, recuperando a área verde e programando até mesmo a instalação de quadras esportivas, churrasqueira ou playground, se o prédio ainda não contar com essas áreas de lazer.

Obra de tamanha importância deve ser entregue pelo síndico a uma empresa muito criteriosa. Segundo o Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI), há cerca de 500 empresas aplicadoras de impermeabilização no estado de São Paulo. Apenas 30 são associadas ao IBI. O engenheiro André Fornasaro, presidente do IBI, indica a contratação de empresas com registro no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) e especializadas em impermeabilização. O IBI orienta que no contrato de prestação de serviços fechado entre o condomínio e o aplicador conste a descrição minuciosa dos serviços a serem executados, a descrição técnica de materiais e sistemas, inclusive citando a marca, os preços unitários e globais, as quantidades envolvidas, o prazo de execução de cada etapa, os fornecimentos por conta do cliente e por conta do contratado, condições de pagamento e forma de reajuste e a minuta do termo de garantia que será entregue no final dos serviços.

O síndico pode verificar facilmente se o produto impermeabilizante entregue na obra corresponde àquele efetivamente contratado, quanto à marca, composição, tipo, espessura. Mesmo o síndico leigo em construção civil consegue reconhecer indícios da qualidade da empresa aplicadora. "A impermeabilização deve ser aplicada num substrato seco. Se ela estiver sendo aplicada numa área úmida significa que a empresa não sabe trabalhar", sentencia André Fornasaro. Primeiro, a área a ser impermeabilizada recebe um fundo primer. Se chover após essa aplicação, nada de impermeabilização. A ordem é aguardar até que a área esteja completamente seca.

É interessante, ainda, que o síndico consulte a construtora do prédio sobre o projeto de impermeabilização da obra. "Assim como há o projeto hidráulico e o elétrico, deve haver o de impermeabilização", diz. Com o projeto, o síndico pode ao menos conhecer o que foi feito - ou não - no prédio. O próprio André viu casos em que o térreo do prédio não era impermeabilizado, mesmo tendo subsolo. Se houver impermeabilização e forem constatados problemas, é possível procurar quem dê garantias pelo serviço, seja o aplicador ou o fabricante do produto aplicado.

Durante a realização do serviço o condomínio pode contratar a fiscalização de um profissional especializado - engenheiros, arquitetos ou técnicos em edificações estão habilitados a fiscalizar a obra e a solicitar ensaios, de acordo com as normas ou informações do fabricante. Em geral, os próprios fabricantes contam com uma rede de aplicadores credenciados e aptos a aplicar os produtos de sua linha. A garantia de cinco anos é dada pelo fabricante ao produto por seu desempenho e contra defeitos de fabricação. Já a aplicadora garante a qualidade de sua aplicação. O presidente do IBI recomenda o uso de mantas asfálticas nacionais. "Existem mantas importadas no mercado, mas é mais difícil cobrar a garantia delas", admite. Há sete fabricantes nacionais, fornecendo mantas de diversas classificações, dadas em função da resistência mecânica de rompimento.

A manta tem a vantagem da rapidez da instalação e alta resistência. Já o sistema moldado a quente é uma impermeabilização moldada in loco, obtida pela aplicação de sucessivas demãos de asfalto quente. É um sistema confiável e ainda muito utilizado, mas que requer cuidados e mão-de-obra especializada.

Outro sistema de impermeabilização, bem longe do quebra-quebra da tradicional instalação de mantas asfálticas, tem atraído a atenção dos síndicos: são as tecnologias de injeção, muito utilizadas no tratamento de infiltrações em garagens, subsolos e lajes de cobertura. Com essa tecnologia é possível resolver o problema da infiltração sem a necessidade de intervenção no andar superior, ou seja, sem a destruição do jardim, das áreas de lazer e do piso do térreo do edifício, por exemplo. Os métodos de injeção para selamento envolvem a injeção de resinas flexíveis com ótimas características de atuação na presença de água, como as resinas e as espumas de poliuretano.

A tecnologia surgiu na Europa, para ser aplicada no tratamento de túneis e outras grandes estruturas. Com o tempo, os produtos e equipamentos caíram de preço, e foi possível disponibilizar a tecnologia para clientes de menor porte, a um preço acessível. Hoje, na Europa, é possível comprar kits de injeção em lojas de materiais de construção, para reparos de pequeno porte. "O mesmo caminho foi feito no Brasil, mas aqui a tecnologia ainda é pouco conhecida e há certa resistência por parte dos contratantes, por exemplo, síndicos e zeladores, por mera desconfiança. O Brasil tem uma cultura muito forte de impermeabilização com mantas asfálticas e a introdução de novas tecnologias para substituí-las, ou até mesmo como complemento, é bastante difícil", atesta o engenheiro Marcelo Urquiza.

Marcelo frisa que, além da injeção de resinas, há uma série de tecnologias e produtos desenvolvidos para substituir ou complementar as mantas asfálticas em diversas situações, seja pelo seu desempenho intrínseco (característica do produto em si) ou pelo método de aplicação. "A mensagem correta é que há inúmeros produtos no mercado, cada um ideal para uma determinada situação. Portanto, é cada vez mais crucial que o contratante procure um profissional competente e isento, para indicar a melhor solução técnica. Na maioria das vezes, este profissional se traduz em um consultor, que fará um estudo detalhado do problema, indicando a solução e ajudando na escolha de uma empresa competente para executar o serviço", aconselha, completando que há aplicadores idôneos que podem indicar a melhor solução, ainda que isto signifique não executar o serviço por se tratar de produto fora de seu portifólio. "Mas, neste caso, o contratante deve sentir a confiança necessária no profissional", esclarece.

Outra recomendação é procurar os fabricantes de resinas e detentores das tecnologias de injeção, que podem indicar aplicadores credenciados, capacitados a avaliar a situação do condomínio e indicar a melhor solução. O síndico deve solicitar referências aos aplicadores e certificar-se das condições de garantia do serviço.


Data: 10/06/2007

Fonte: Revista Direcional Condomínios
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